Origens conceituais do Serviço de Referência

Uma das mais antigas definições de Serviço de Referência (SR) é a da bibliotecária Alice Bertha Kroeger que definia o SR como sendo “parte administrativa da biblioteca, que dizia respeito à assistência aos leitores no uso das fontes da biblioteca” (KROEGER, 1908, p. IX, tradução minha). Um tanto reducionista, não acham?

Essa e outras definições do SR refletem o cenário que deu origem a esse tipo de atividade. Afinal, ela surgiu para ajudar as pessoas que iam até as bibliotecas na consulta do catálogo, pois esses instrumentos eram difíceis de manusear. Sobre a estrutura dos catálogos de biblioteca no período de transição do século XIX pro XX sabemos que eles se caracterizavam enquanto “[…] inventários de coleções (como livros de tombo), em geral organizados em códices, ou seja, na forma de livro (DOTTA ORTEGA, 2010, p. 4). Consultar esses livros de tombo era moroso e requeria certo grau de expertise técnica para garantir que nenhuma obra útil passasse desapercebida.

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O Serviço de Referência precisa ser ativo

Pensar sobre o Serviço de Referência (SR) é abrir as portas para o sonho. E, como ultimamente sonhar tem sido algo tão difícil, quase anárquico, é bom a gente poder falar sobre os sonhos, as ideias, os planos.

Antes de mais nada, é importante entendermos que o SR sempre esteve associado a inovação e pioneirismo, a mudanças estruturais nas bibliotecas e, por extensão, na Biblioteconomia. Um exemplo disso é o fato de que uma das primeiras divisões da American Library Association (ALA), criada em 1889, ter sido formada por profissionais que atuavam no setor de referência das bibliotecas.

Óbvio que o contexto social impacta o SR e que, sendo ele dinâmico, sempre estão ocorrendo transformações em suas práticas. Até porque, por ser um serviço, ele acaba sendo mais maleável e adaptável do que os produtos informacionais. Mas se é assim, por quais razões ainda tratamos o SR como algo passivo e que consiste, basicamente, em esperar?

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#Resenha – Olhares em movimento sobre a transversalidade dialógica da Biblioteconomia e Ciência da Informação

JESUS, Mirleno Livio Monteiro de; MOUTINHO, Sônia Oliveira Matos (Org.). Olhares em movimento sobre a transversalidade dialógica da Biblioteconomia e Ciência da Informação. Teresina: IFPI, 2019.

Essa coletânea chegou na minha estante ano passado durante a Bienal do Livro, foi presente do colega Hernandes Andrade, mas só recentemente concluí a leitura dela. São 10 capítulos cujo conteúdo mescla reflexões teóricas com a descrição e discussão de experiências práticas.

Como o próprio título indica, a proposta do livro é ser transversal e por isso os capítulos cobrem temáticas variadas tais como, estágio supervisionado, literatura de África, informação científica, práticas de leitura, biblioterapia, repositório institucional, cultura e memória.

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#Fichamento – Ambientes e fluxos de informação

VALENTIM, Marta (Org.). Ambientes e fluxos de informação. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. 281 p.

Informações gerais sobre a obra

Capa do livro "Ambientes e fluxos de informação"
#Acessibilidade: Capa do livro “Ambientes e fluxos de informação”. A capa é cinza e nela aparecem nome da organizadora, título e editora da obra.

Coletânea composta por 14 capítulos escritos por autoras/es brasileiras/os. Além de textos da própria organizadora da coletânea, constam textos de Regina Belluzzo, Oswaldo Almeida Junior, Bárbara Fadel, dentre outras/os. Essa obra recebeu, até a data dessa postagem, 93 citações segundo as métricas fornecidas pelo Google Acadêmico.

O principal ponto positivo desse livro é reunir textos sobre os fluxos de informação existentes para além da biblioteca. Bibliotecárias que atuam ou tem interesse de atuar no ambiente empresarial podem tirar bastante proveito da leitura desta obra.

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#Resenha – O negro na biblioteca

Os últimos anos viram um aumento na quantidade de obras que tem questões vinculadas a comunidade negra como norte. Exemplo disso são Mulheres negras na Biblioteconomia, Epistemologias negras: relações raciais na Biblioteconomia, dentre outras. Esses e outros trabalhos representam um significativo ganho qualitativo para a Biblioteconomia.

Apesar dos avanças ainda há muito que percorrer a fim de superar o peso de décadas de negligencia teórico-prática que ainda se fazem sentir na produção da área. Diante disso, é muito importante disseminarmos obras que contribuem para o fim dessa lacuna e uma dessas obras é o livro O negro na biblioteca: mediações da informação para construção da identidade negra, de Francilene Cardoso.

#PraCegoVer: Montagem mostrando no lado esquerdo a capa do livro resenhado e no lado direito uma citação dele. Na capa aparece uma mulher negra contando histórias para um grupos de crianças e, um pouco abaixo, o corredor de uma biblioteca. A citação usada é “Se na história da biblioteca pública raramente se preservaram as produções culturais de setores populares, na atualidade é basilar que se preserve a memória desses setores para que se construa uma biblioteca pública verdadeiramente democrática”
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