Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia e Ciência da informação: o diálogo possível – Resenha

ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila. Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia e Ciência da informação: o diálogo possível. Brasília, DF: Briquet de Lemos: São Paulo, SP: Associação Brasileira de Profissionais da Informação, 2014. 200 p.

Preservar a memória por meio da guarda documental e, mais recentemente, possibilitar o acesso aos documentos que registram essa memória é uma das maiores e mais antigas preocupações da humanidade. Assim sendo, ao longo dos tempo, várias áreas de atuação e profissionais surgiram (e se especializaram) visando atender a essa necessidade.

De todas as áreas que se dedicam a organização, preservação e disseminação da informação três se destacam pela magnitude de suas origens e contribuições. São elas: Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia. Cada uma delas contribui para que a humanidade se (re)conheça e cresça por meio da informação disponibilizada em diferentes formatos. Elas, apelidadas por Johanna Smit, de “três marias”, ganharam no início do século passado a companhia da Ciência da Informação. Estando essas quatro áreas dedicadas ao trato informacional vem a pergunta: “Em que pontos elas se encontram e dialogam entre si?” Continuar lendo

#BiblioTermos – Ficha Catalográfica

A ficha catalográfica (catalog card), também conhecida como ficha bibliográfica, contem a descrição das informações bibliográficas (autoria, título, editora, ano de publicação, número de identificação internacional, assuntos e etc) de uma publicação. A ficha, localizada no verso da folha de rosto, deve ser o último item a ser providenciado para uma publicação a fim de que as informações nela contidas descrevam a versão final de uma obra.

De acordo com Cunha e Cavalcanti (2008, p. 167) “o tamanho da ficha […] foi padronizado em fins do século XIX, em decorrência, principalmente, da impressão de ficha catalográficas em 1898 e sua posterior venda pela Library of Congress dos EUA […] Seu formato, de padrão internacional, é de 12,5 x 7,5 cm […]” Continuar lendo

A biblioteca mais incrível que já visitei

Faz um tempinho que estou tentando decidir para onde vou viajar nas minhas férias. Porém, independente de pra onde eu viaje é muito provável que vá encontrar, ao menos, uma biblioteca para visitar. Porque essa é uma das coisas que faço em toda viagem: visito bibliotecas.

Nem sempre essa experiência é agradável. Muitas vezes me deparo com situações de abandono, como a enfrentada pela Biblioteca Municipal de Olinda, a terceira mais antiga do Brasil e que fica num prédio que, apesar do descaso, ostenta charme ou a reforma mais que arrastada da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, aqui em Fortaleza. Outras vezes vou a lugares encantadores como a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, mas apesar de ter adorado a visita a Biblioteca Brasiliana não é o tema dessa postagem. Continuar lendo

Book Trailers: O que são? O que comem? Onde vivem?

Os book trailers ou trailers de livros são uma das práticas do mercado editorial usadas para a divulgação de lançamentos literários. Os book trailers foram idealizados a partir dos já famosos e consolidados trailers de filmes, porém

diferentemente dos trailers de cinema, onde é realizada uma edição com as melhores e mais interessantes cenas do filme, o book trailer traz uma montagem elaborada com frases de impacto para chamar a atenção do leitor, permeadas com cenas e imagens do livro e da história, e tudo isso envolto com uma música de fundo. (SOUZA; COSTA, 2012, p. 09).

Por ser usado basicamente como peça de propaganda pelas editoras o objetivo principal do book trailer é tornar o livro atraente para o leitor, visando gerar o desejo de compra do livro divulgado. Continuar lendo

E o aprovado na seleção foi… Capistrano de Abreu

Quando se fala em concurso para bibliotecário quem conhece um pouco da história da Biblioteconomia lembra logo de Manuel Bastos Tigre que é considerado o primeiro bibliotecário concursado no Brasil. Ele conseguiu isso ao defender uma tese sobre a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e por meio dela obter o cargo de bibliotecário do Museu Nacional.

Entretanto, antes do curso de Biblioteconomia existir no Brasil, obviamente, já existiam bibliotecas no país e já existiam pessoas, em geral eruditos, que as administravam. Mas como eles eram escolhidos? Bem, normalmente eram indicados por alguém. Esse foi o caso do Ramiz Galvão cuja trajetória brilhante a frente da Biblioteca Nacional (BN) já foi contada aqui no blog. E foi justo durante a gestão dele que foi realizada a primeira seleção visando escolher alguém para ocupar o cargo de “bibliotecário”. Continuar lendo

#NEWS – Periódico disponibiliza conteúdo no formato de áudio

Acessibilidade visa “[…] incluir a pessoa com deficiência na participação de atividades como o uso de produtos, serviços e informações. Alguns exemplos são os prédios com rampas de acesso para cadeira de rodas e banheiros adaptados para deficientes.” (BRASIL, [2013]).

Recentemente, um periódico científico da área de Biblioteconomia deu mais um pequeno passo rumo a acessibilização de seu conteúdo. A Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação disponibiliza, desde o volume 10 (2014), arquivos em áudio contendo título, autores e resumo de cada artigo. Basta clicar na palavra “áudio” e fazer download do arquivo.

Sumário do v. 11, n. 1 (2015), da RBBD

Sumário do v. 11, n. 1 (2015), da RBBD.

Isso é importante por que oferece mais uma alternativa para deficientes visuais acessarem, ao menos, o conteúdo básico da publicação. Espero que em edições futuras esse e outros periódicos também passem a disponibilizar os artigos completos e o conteúdo de outras sessões em áudio.

E vocês, conhecem periódicos com iniciativas semelhantes?

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Acessibilidade. [2013]. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/?option=com_content&id=20000&Itemid=1276>. Acesso em: 13 jul. 2015.

As cinco leis da Biblioteconomia – Resenha

RANGANATHAN, Shiyali Ramamrita. As cinco leis da Biblioteconomia. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2009.

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Capa da edição brasileira de “As cinco leis da Biblioteconomia”

Clássico. Esse é o primeiro adjetivo que me vem a mente quando penso no livro “As cinco leis da Biblioteconomia”, de Ranganathan. Esse adjetivo é logo precedido por outros, como: indispensável, basilar, amplo e contemporâneo. Poucas obras mantiveram seu nível de relevância com o passar dos anos como esse livro.

Um dos motivos da manutenção da importância do trabalho de Ranganathan é a contribuição dele para estruturação da Biblioteconomia como área do conhecimento. Muito da Biblioteconomia praticada atualmente se deve as cinco leis elaboradas por Ranganathan e tão bem expostas nesse livro.

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Miséria da biblioteca escolar – Resenha

SILVA, Waldeck Carneiro da. Miséria da biblioteca escolar. 3. ed. São Paulo, SP: Cortez, 2003. (Questões da nossa época, 45).
Capa do livro "Miséria da biblioteca escolar"

Capa do livro “Miséria da biblioteca escolar”

O futuro das bibliotecas escolares de Fortaleza esteve em discussão no último mês. Discussão essa originada a partir da nada brilhante, porém não surpreendente proposta de alocação de professores afastados para administrar as bibliotecas escolares do município. Felizmente, a classe bibliotecária de Fortaleza está buscando evitar que essa alocação seja institucionalizada e sensibilizar a administração municipal para a necessidade de investir na melhoria da estrutura física das bibliotecas escolares e contratar (por meio de concurso público) bibliotecários para atuarem nas mesmas.
A boa notícia é que a proposta feita pelos bibliotecários, aparentemente, foi ouvida e será considerada e será considerada pela Comissão de Cultura, Desporto e Lazer da Câmara Municipal de Fortaleza. Enquanto esperamos (e cobramos) um desenrolar positivo para essa situação vamos falar um pouquinho de uma obra que discute o desmazelo com o qual a biblioteca escolar tem sido tratada historicamente no Brasil.

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Avaliação de Usabilidade na Internet – Resenha

NASCIMENTO, José Antônio Machado do; AMARAL, Sueli Angélica do. Avaliação de usabilidade na internet. Brasília, DF: Thesaurus, 2010.

Cada vez mais os bibliotecários tem tido necessidade de incorporar novos termos e novas práticas as suas atividades profissionais. Alguns dos termos que tem ganhado espaço no jargão bibliotecário são os relativos a usabilidade. A usabilidade está diretamente vinculada aos estudos a respeito da interação humano-computador e pode ser entidade como uma série de métodos que busca entender como alguém pode empregar algo para realizar uma tarefa específica.

No livro escrito por Nascimento e Amaral a usabilidade é abordada dentro do contexto específico da internet. Nele, os autores apresentam, em quatro partes, as principais facetas desse tema, partindo dos conceitos básicos até chegarem na exposição de um exemplo prático de uso das ferramentas de usabilidade para avaliação e proposta de melhoria de uma página web. Continuar lendo

Bibliotecários também pesquisam

Bibliotecários também pesquisam. E como pesquisam! E precisamos pesquisar ainda mais.

Por quê?

Porque a Biblioteconomia têm muitas questões incômodas que para serem eficazmente respondidas precisam que os “bibliotecários praticantes” compartilhem, discutam e construam experiências. Pesquisar pode nos ajudar a entender melhor nossa área de atuação, os usuários que pretendemos atender, conhecer colegas de profissão (essa é uma das funções dos eventos científicos) e ascendermos em nossa carreira profissional.

Esses e mais alguns outros motivos para investirmos na prática da pesquisa são expostos pela Carol Tenopir em Bibliotecários também pesquisam. Uma das coisas boas desse texto curtíssimo produzido pela Tenopir é que as recomendações dela são bem pontuais. Na verdade, o texto é uma espécie de “passo a passo motivacional” que busca incentivar os bibliotecários a desenvolverem (ainda mais) suas habilidades de pesquisadores. Continuar lendo