Refletindo sobre os termos de uso das mídias sociais

Olá, pessoas!

Vocês leem os termos de uso das mídias sociais (Facebook, Twitter, Instagram, etc.) quando vão criar o perfil numa delas? Ou só clicam no “Eu concordo” (I agree) e seguem em frente?

Nunca li um desses termos em sua totalidade. Tenho tentado minimizar esse problema acompanhando melhor o debate e as atualizações de políticas dessas mídias, mas estou beeeeeeem longe do ideal.

Vale lembrar que as políticas de uso não estão presentes só nas mídias sociais. Muitos sites também as possuem. Em 2012, pesquisas estimavam que se fôssemos ler as políticas de todos os sites que visitamos ao longo de um ano gastaríamos o equivalente a 25 dias inteiros. Se esse período fosse organizado em horas trabalhadas – levando em conta um expediente de 8 horas diárias – seria o equivalente a 76 dias de trabalho. E essas estimativas são de cinco anos atrás.

É muito tempo, vocês não acham? Isso se deve ao fato dos termos de uso serem textos longos escritos numa linguagem nem sempre clara. Só para vocês terem uma noção, recentemente, o designer Dima Yarovinsky realizou uma instalação com a versão impressa dos termos de uso das principais mídias sociais. Como vocês podem ver na imagem abaixo, a maioria dos termos nem coube na parede e teve que se estender pelo chão.

Fotos-da-exposicao-I-agree
#PraCegoVer: Fotografia da instalação feita com a versão impressa dos termos de uso. Os termos de cada mídia estão impressos numa cor diferente e se estendem do topo da parede até o chão. Alguns deles (Twitter, Facebook, SnapChat e Instagram) se estendem pelo chão também. Na parte inferior da foto aparece uma mulher agachado lendo o termo referente ao Instagram. Fonte da imagem: Dima Yarovinsky via site Co.Design

Na imagem, da esquerda para a direita, veem-se os termos de uso do WhatsApp (verde), Google (cinza), Tinder (rosa claro), Twitter (azul claro), Facebook (azul “escuro”), Snapchat (amarelo) e Instagram (rosa “escuro”). Percebam que o designer não imprimiu os termos em letras gigantes. Ele usou um tamanho de fonte que permitisse a leitura do texto e, mesmo assim, eles ficaram enormes. Imaginem a infinidade de coisas com as quais concordamos só para usar esses espaços e não fazemos a mínima ideia.

Não quero com esta postagem bancar a apocalíptica e pedir para vocês deletarem seus perfis e queimarem seus celulares. Na verdade, pretendo continuar sendo uma entusiasta do uso das mídias sociais pelas bibliotecas e bibliotecárias/os. Mas precisamos ter em mente que desconhecer os termos com os quais concordamos para navegar no ciberespaço tem nos custado bem caro e pode nos custar ainda mais.

Sozinhos somos muito pequenos diante de grandes corporações e precisamos acompanhar melhor as discussões e apoiar os trabalhos que buscam nos proteger nesse ambiente. Muita gente diz não se importar com essas discussões porque “não tem nada a esconder” e, na minha humilde opinião, esse posicionamento é cilada. Não se trata de ter o que esconder ou não, mas sim de não querer que uma mídia social venda nossos dados pessoais para um empresa que manipula eleições, por exemplo.

Mídias sociais são um espaço incrível e cheio de potencial, mas, como tudo na vida em sociedade, elas exigem que a gente tenha uma postura ativa. Do contrário nossos dados serão surrupiados e seremos presas fáceis para manipulação.

PARA SABER +

Vale a pena acompanhar os trabalhos do Coletivo Intervozes e da ONG Artigo 19.

Para discussões massa sobre tecnologia (incluindo mídias sociais) recomendo o trabalho das Minas do Ada.

Beijos e até a próxima postagem! 😉

 

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