Carta de uma aprendiz de escritora

Fortaleza, 31 de maio de 2020

Olá!

Estou tentando escrever essa carta para você desde fevereiro ou março. Já nem sei mais. Os dias andam estranhos e tem horas que o ritmo do tempo parece ter mudado. Mas só parece. O tempo segue o mesmo desde que o mundo é mundo. Nós é que estamos mais confusos do que estávamos em março ou fevereiro.

Acho que demorei tanto para escrever esta carta porque não tenho uma história interessante ou edificante para contar. Sério. Se você procura uma história bonita, poética, doce ou voluptuosa de relação com a escrita essas minhas páginas não são o lugar para você. Pode deixar este texto de lado e ir procurar o que outras escritoras escreveram sobre suas relações com a escrita.

O meu tempo de escrever cartas inspiradoras ficou para trás, na adolescência. Ficou nas cartas – pequenas e grandes – que trocava com minhas amigas de escola compartilhando amenidades, sonhos, paixões, segredos, planos… Compartilhando o presente e o futuro com a leveza de quem se permitia sonhar sem medo.

Nessa época eu juntava papéis, adesivos e palavras com uma facilidade de fazer inveja a qualquer ganhador de Jabuti. Será que eu já era escritora?

Depois desse tempo das cartas minha escrita foi cooptada pela vida acadêmica e está aí meu Lattes para provar que sou razoavelmente boa nisso de escrever academicamente. Mas eu queria escrever literatura. Queria conseguir dar uma forma, ao menos minimamente ajeitada, para as ideias que estavam na minha cabeça. Eu queria começar e terminar ao menos um texto.

É isso. A verdade sobre a autora dessa carta que você está lendo (você ainda está lendo?) é que eu me meti nesse embrolho todo de escrita criativa, antologia, tradução, concursos literários, processos de escrita etc. porque queria terminar ao menos um texto sabendo o que estava fazendo. Pois para mim não basta fazer, é preciso entender os motivos, os porquês que me levaram a fazer algo. E é esse desejo que tem me movido através das palavras, das linhas, das páginas, dos textos e, às vezes, até através dos dias.

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Escrevi a primeira versão desse texto durante um curso de escrita criativa promovido pela Vanessa Passos, através do Pintura das Palavras, em 2020. De lá para cá o mundo me parece ter se tornado um tanto mais hostil. Ainda assim (ou talvez por isso) quis voltar as minhas primeiras e desajeitadas tentativas de escrita literária.

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