#Resenha – 100 nomes da edição no Brasil

MARQUES NETO, Leonardo. 100 nomes da edição no Brasil. Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2020.

Em 100 nomes da edição no Brasil, Leonardo Neto se propõe a uma tarefa difícil: recuperar a trajetória das principais personalidades do universo brasileiro da edição de livros. A dificuldade da tarefa não vem apenas do fato de que muita gente boa ficou de fora (o que é praticamente impossível de não ocorrer em obras do tipo), mas também da carência de registros. Aqui parece que o dito popular “casa de ferreiro, espeto de pau” se confirmou e aqueles responsáveis por produzir e divulgar livros nem sempre deixaram muitos registros de suas atividades.

Descrição da imagem: Figura com fundo simulando papel amassado. Na esquerda aparece a citação: “Os perfis foram levantados a partir de entrevistas, pesquisas em livros, em jornais de época e em estudos acadêmicos, que serviram de lastro para as histórias contadas neste volume”. (MARQUES NETO, 2020, p. 11). Na direita aparece a capa do livro resenhado. A capa é formada por várias letras de fontes diferentes no lado inferior direito sobre fundo com formas geométricas coloridas. Nela há título, autor e editora. / Créditos da imagem: Izabel Lima

Realizado a partir de financiamento coletivo, a obra se divide em 6 partes e tenta montar um panorama do desenvolvimento do mercado editorial livreiro brasileiro do século XIX até o XXI. Recorte temporal amplo, mas que acaba contribuindo pra mostrar como fazer livro no Brasil sempre foi um perrengue, mas sempre teve gente muito dedicada e apaixonada por esse trabalho mantendo o mercado editorial de pé.

Li o livro enquanto bibliotecária interessada em editoração e, nesse sentido, a obra me trouxe várias informações novas sobre a história da edição no Brasil. Esse não é um livro técnico para você “aprender a editar livros”, mas sim para conhecer um pouco os caminhos percorridos por profissionais e editoras ao longo de suas trajetórias. Inclusive, gostei particularmente da obra ser centrada na trajetória profissional das pessoas. Também curti os capítulos dedicados aos primeiros editores a atuarem no Brasil, pois meu conhecimento sobre eles era nulo.

Tangenciando o assunto bibliotecas, foi bacana encontrar perfil do Wagner Amaro, bibliotecário e editor da Malê, na parte da obra dedicada a apresentar perfis de pessoas que, na opinião do autor, representam “O Futuro da edição”.

A edição é em capa dura e conta com fonte num tamanho muito bom para leitura e espaço para anotações nas margens (com esse comentário os puristas me cancelam), mas tem alguns probleminhas de revisão que, imagino eu, serão corrigidos em futuras reimpressões / edições.

Uma outra coisa que gostaria que fosse acrescentada numa nova edição é um índice remissivo. Sério! Acho que essa foi a primeira vez que terminei de ler um livro e senti muito a falta desse recurso. Tendo em vista que essa é uma obra que se pretende de referência, um índice remissivo tornaria mais fácil localizar informações sobre personalidades e editoras específicas que são mencionadas em diferentes pontos ao longo da obra. Fica aqui a sugestão.

Para concluir, se você se interessa por edição, especialmente de livros, vale a pena dedicar um tempo a essa leitura para conhecer um pouco de quem construiu esse mercado até aqui.

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