Livros & Girl Power no 8 de março

8 de março é Dia Internacional da Mulher e um bom jeito de passar esse dia é ler obras que mostram um pouco do quanto as mulheres são corajosas, inteligentes, criativas, sagazes, ou seja, ma-ra-vi-lho-sas. Se você não sabe por onde começar, elaborei uma lista com alguns títulos que mostram um pouquinho disso.

As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo – Rachel Ignotofsky

Sabe aquela história de que “mulheres não são boas nas áreas de ciência e tecnologia”, “que a prática científica não é pra gente” e etc. que escutamos escuta por aí? Pois é… tudo mentira. Ao longo da história da humanidade inúmeras mulheres (e seriam muitas mais se tanta gente idiota não insistisse em atravancar nosso caminho) contribuíram de diversas maneiras para o desenvolvimento científico e são as trajetórias de 50 dessas mulheres que esse livro aborda.

“Um erro que atribui a um homem o que foi, na verdade, o trabalho de uma mulher tem mais vidas que um gato.” Hertha Ayrton (engenheira, matemática e inventora)

Voltado para o público infanto-juvenil e ricamente ilustrado a obra “As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo” apresenta, de maneira resumida, trajetórias como as de Florence Bascom, Alice Ball, Vera Rubin, Hertha Ayrton, dentre outras. Cada capítulo, além do texto principal e ilustrações, traz feitos, curiosidades e uma citação célebre da personagem retratada.

Além das trajetórias científicas, o livro possui seções sobre instrumentos de laboratório, estatísticas sobre representação das mulheres na ciência, glossário e uma lista de fontes consultadas.

Estrelas além do tempo – Margot Lee Shetterly

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Foto: Izabel Lima

Esse livro é um tributo mais que merecido as mulheres que atuaram nos bastidores da NASA e que tiveram papel decisivo para o avanço da exploração espacial. Margot Lee Shetterley faz um trabalho primoroso de resgate das vidas e dos feitos de centenas de matemáticas negras, conhecidas como “computadores humanos”, cujos trabalhos ficaram esquecidos por décadas.

Esse livro também chegou as telas do cinema, então você pode prestigiar as trajetórias dessas mulheres em duas linguagens diferentes.

Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil – Duda Porto de Souza e Aryane Cararo

O livro de Duda e Aryane lança olhar sobre a história do Brasil a fim de destacar brasileiras que chacoalharam as estruturas do país nos mais variados campos. As ilustrações do livro ficam por conta de nove ilustradoras brasileiras.

“Qualquer luta é vitoriosa quando se luta por educação.” (Sônia Guajajara)

São, aproximadamente, 4 páginas destinadas a cada uma das mulheres apresentadas na obra e, além disso, o livro também conta com glossário, linha do tempo e uma lista excelente de referências para conhecer melhor essas 50 brasileiras que mostraram sua força em áreas como política, artes plásticas, aviação, música, engenharia, medicina e por aí vai.

Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis – Jarid Arraes 

Nesse livro, Jarid Arraes usa o tradicional formato da literatura de cordel para apresentar ao mundo a história de 15 mulheres negras cujas histórias, muitas vezes, ainda estão relegadas as sombras.

São cordéis que contam histórias de luta, resistência e coragem e que nos apresentam nomes como os de Antonieta de Barros, Maria Firmina dos Reis e Mariana Crioula. Depois de cada cordel há uma biografia (em formato de prosa) da personagem apresentada e no fim do livro há espaço para o/a leitor/a contar a história de uma mulher negra importante na sua vida. Um belo convite a gratidão e a representatividade.

Histórias de ninar para garotas rebeldes: 100 fábulas sobre mulheres extraordinárias – Elena Favilli e Francesca Cavallo

Viabilizado através de financiamento coletivo, esse livro traz a história de 100 mulheres que se destacaram nos mais variados campos de atuação. Têm ativistas, políticas, modelos, atletas, cientistas, escritoras. São mulheres do mundo inteiro, de idades, raças, crenças diversas que através de suas ações ajudaram a moldar o mundo e se tornaram inspiradoras.

A linguagem da obra é simples e cada biografia foi resumida para ocupar apenas uma página. As ilustrações, feitas por artistas de países e estilos diferentes, são de encher os olhos. Essa obra também é voltada para o público infanto-juvenil, mas a leitura é válida para todas/os, afinal, pessoas de todas as idades precisam ter seus sonhos de um mundo mais justo acalentados.

Ah, e sabe o que é melhor?! O volume 2 (com mais 100 histórias) acaba de chegar ao mercado brasileiro.

O país das mulheres – Gioconda Belli

Adoro esse livro! Há quem diga que ele é uma utopia, mas pra mim ele tem gosto de ideia, de possibilidade. O enredo se desenvolve em Fáguas – um pequeno e fictício país latino-americano – onde um partido formado exclusivamente por mulheres chegou ao poder e começou a mudar estruturas buscando inverter papéis socialmente arraigados e permitindo que as mulheres ocupem lugar de destaque e decidam os rumos do país.

Através das memórias de Viviana Sansón – presidenta de Fáguas – acompanhamos a criação do partido, sua chegada ao poder e o impacto que causaram. O livro tem várias referências a outras obras com personagens femininas fortes e joga de modo criativo com os estereótipos de gênero.

Outros jeitos de usar a boca – Rupi Kaur

Outros jeitos de usar a boca foi, provavelmente, o livro de poesia mais comentado de 2017 e essa fama não é por acaso. Rupi construiu um livro repleto de poemas que aliam sensibilidade e força, que mexem em temas dolorosos e que ilustram a jornada de vida de muitas e diferentes mulheres.

A forma livre de seus versos, as ilustrações que acompanham os poemas, o convite de olhar para si mesma com generosidade são irresistíveis. Os poemas de Rupi são um convite e um meio para a construção de uma relação mais saudável e bonita consigo mesma.

Tudo nela brilha e queima – Ryane Leão

Ryane tem versos livres e escreve poemas fortes. É uma voz negra e periférica que usa vivências dolorosas para construir uma nova narrativa para si mesma e para outras mulheres.

Tudo nela brilha e queima foi o primeiro livro que li esse ano (2018) e cada página era (re)encontro. Foi um jeito maravilhoso de começar as leituras desse ano, assim como é maravilhoso ver cada vez mais mulheres fazendo poesia do seu jeito, com temas que dizem respeito a todas nós. Além do livro, também é possível acompanhar o trabalho da Ryane através do Instagram @ondejazzmeucoracao

“sobre lugares e pessoas:

se não puder ser você mesma

vá embora.” (Ryane Leão)

Espero que essas sugestões de leitura te ajudem a construir uma visão mais realista e plural do mundo. Ah, e se você procura uma trilha sonora para elas, que tal “Run the world”, da Beyoncé? 😉 ❤

 

2 comentários em “Livros & Girl Power no 8 de março

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